18 novembro 2009

Ser cara de pau é qualidade ou defeito?

Outro dia estava reunido com alguns vendedores que estavam participando de um treinamento comigo. Na mesa, algumas cervejas ajudavam a descompressar o dia inteiro de planejamento que aquela equipe havia encarado.

Como de costume, algumas histórias de guerra eram compartilhadas. Uma delas foi sobre quando um dos vendedores precisava entregar um convite para um grande cliente, durante uma feira de negócios. O sujeito procurou por todos os lados e acabou avistando o empresário dentro do estande da concorrência, sentado com dois vendedores, entre comes e bebes. Não teve dúvidas, entrou e sentou-se do lado do cliente. Diante dos olhares surpresos dos vendedores da concorrência, foi logo disparando: “– Na nossa empresa é assim mesmo! A gente vai onde o cliente está!”.

O vendedor em questão é conhecido por todos na empresa como um “grande cara de pau”. Quando ouvi isto, pensei: na essência, isso pode ser visto como elogio ou crítica?

Se, por um lado, as pessoas tidas como caras de pau são aquelas que não medem as conseqüências de suas ações; por outro, a falta de vergonha e de pudor podem ser características vitais para o sucesso daqueles que empreendem e buscam por resultados. Sim, o atrevimento leva ao sucesso! Mas, somente quando bem-preparado.

O ponto é que ser cara de pau pode levar-nos a fazer coisas erradas. E um dos grandes entraves do ser humano é o temor ao erro. Fomos treinados desde a infância a apreciar o sim e desviarmos do não: “Faça assim que a mamãe gosta. Não faça isso porque o papai não gosta”. O medo da rejeição é muito interno a todos nós. Como conseqüência, vendedores e empresários deixam de ter a dose certa de atrevimento por medo de serem rejeitados, por medo de ouvirem o não. Quer ter mais sucesso? Entenda que em vendas a rejeição não é pessoal, mesmo porque não é você que está sendo recusado, mas sim, a oportunidade de negócios. Mantenha o seu moral alto e o seu desempenho também se manterá assim.

Além disso, outro obstáculo ao atrevimento é a falta de criatividade. Muitos acham que ser criativo é um dom inato ou um segredo reservado a poucos iniciados, freqüentadores das salas das grandes agências ganhadoras de prêmios internacionais. Balela! Ser criativo é uma competência que deve e pode ser semeada e desenvolvida com pouco custo. Quantas vezes você já reservou um tempo com a sua equipe, estimulando a criatividade dela num ambiente de baixo risco? “Ok, pessoal, vamos listar, no mínimo, cem novos usos para duas garrafas de plástico vazias! Vocês têm quinze minutos para gerar as idéias e mais dez para listar as três mais criativas!”, ou então, “Pensem em dez inovações úteis para um guarda-chuva...”. Obviamente, existem outras tantas técnicas que podem também ser usadas e, com o tempo, você perceberá como ser criativo será parte da personalidade de todos.

Medo e falta de criatividade, resolvendo os dois, teremos excelentes caras de pau em nossas empresas. Mas no bom sentido da expressão: aqueles que podem até ganhar um tapa na cara, mas acabam levando o número do telefone para casa. Fugir da mesmice e perder a vergonha não se trata de não se importar com o que vão pensar ou não medir as conseqüências dos atos, pois exige a segurança do planejamento e da preparação. Ser cara de pau é, antes de tudo, articular o inusitado!

Um comentário:

  1. estou iniciando uma nova fase, com novos produtos. muito direta e positiva sua concepção de cara de pau. quero ser um dia um cara de pau com pudor.

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