24 outubro 2017

Ficar irado é um mau negócio!

Certa vez, decidi processar um sujeito, tanto cível como criminalmente. Lembro que cheguei furioso
em casa, dizendo para a minha mulher: “falam que na Terra, aqui se faz e aqui se paga; mas quem é o cobrador? Acho que desta vez, eu é que vou ter que ser o cobrador”.

Anos se passaram e quando finalmente veio a audiência do processo criminal, o juiz propôs ao dito-cujo a chamada “transação criminal”, que nada mais é do que sugerir ao acusado um acordo no qual não se dará continuidade ao processo, caso ele aceite pagar imediatamente a pena que é especificada pelo próprio juiz. O cara topou na hora e teve que doar duas cestas básicas ou dois salários mínimos, não me lembro direito, para alguma instituição de caridade. Saiu rindo, sem precisar se defender e sem ser considerado culpado ou inocente.

Mais alguns anos se transcorreram e foi marcada uma audiência de conciliação, desta vez para o processo cível. Foi então que falei para meu advogado que queria pôr uma pedra sobre o assunto, pois não aguentava mais a amolação de gastar tempo e dinheiro com aquela história. Os anos haviam se passado e tal qual aquelas cicatrizes que ficam nos joelhos, quando somos crianças e caímos da bicicleta, eu olhava para o mal que o sujeito havia me feito apenas como um alerta de ser mais prudente nas próximas vezes. A ira havia passado.

A ira em vendas

Em artigos anteriores, eu tratei dos pecados da gula, da inveja e da soberba em vendas. Falemos agora sobre a ira. A ira como todos os demais pecados capitais, pode fazer muito mal aos negócios. É um sentimento que evolui da raiva, chegando ao ódio e ao rancor, podendo gerar uma vontade de se vingar, se não tivermos o controle e a paciência para moderarmos nossa própria vontade. Na verdade, é um mal uso de nossa energia agressiva!

Quem nunca se irritou com um cliente e pensou “agora eu é que não quero mais” ou ficou fulo por ter perdido uma venda ao não ter um produto que o cliente queria? Ser bem-sucedido nos negócios e nas vendas exige trabalho duro e enfrentar rejeições todos os dias. Afinal de contas, não temos domínio sobre as ações dos clientes e da concorrência. Tudo isso pode fazer um profissional perder a paciência e o controle. Mas, o que podemos controlar? Nossas atitudes.

Quer uma dica? Na verdade, uma prática mental? Diante de uma situação que lhe tira do sério e pode levar você a ficar irado, pense da seguinte forma:

“ Essa pessoa está apenas tentando ser feliz!”

Em seguida, sorria para você mesmo! O sujeito te fecha no trânsito e ainda lhe dispara um palavrão... Pense, sorrindo: “ele apenas está tentando ser feliz”. O cara combina uma coisa e faz outra: “ele está só tentando ser feliz”. O infeliz corta a sua frente e pega a última vaga do estacionamento. Pois é, ele só quer ser mais feliz.

Nós não temos como controlar os outros. As pessoas são o que são. Mas podemos controlar as nossas ações. E como toda ação tem início em um pensamento, ao compreender que o outro está apenas buscando caminhar da melhor forma possível, dentro das percepções e compreensões dele, você evitará gastar sua energia de forma errada. Lembre-se: você não tem domínio sobre o caminho que o outro escolheu, mas tem completo domínio sobre o seu caminho – o tal do livre-arbítrio.

Ponha na cabeça, a mesma energia que você gasta ficando irado, pode ser empregada para você ser mais feliz. Ter raiva é normal, a questão é como você lida com ela. Apesar de ser um sentimento natural no ser humano, se não tivermos controle, acabamos ficando indignados e procurando vingança, ou pior, perdemos a razão e partimos para o insulto.

O grande desafio é saber quem está no controle no momento de crise, se é você ou o seu sentimento. Nestas situações, quando é o sentimento que domina – melhor dizendo, o mau sentimento –, o
resultado será sempre negativo. Todo profissional que atua em vendas deve ter a capacidade de guiar sua energia e capacidade produtiva da maneira mais efetiva possível para o que realmente importa. Se eu tivesse seguido este conselho em relação ao tal sujeito que processei, deixaria a vida cobrar dele...

Gostou do artigo? Então, compartilhe e comente!

Um grande abraço e excelentes vendas e negociações!

Renato Romeo
Sócio-Fundador / SaleSolution Desenvolvimento de Vendas
 

©2009 VENDAS B2B | Template Blue by TNB